A minha história particular de Pegadas na Areia


Não me lembro de nenhum momento da minha existência, nessa versão corporal, em que você estivesse ausente.

Lembro até hoje de quando você me ensinou a andar de bicicleta. Você foi me fazendo criar confiança, dizendo que estaria sempre atrás de mim, segurando a bicicleta. Me levou até o final de uma das laterais da casa, repetindo várias vezes para eu ouvir: “tô aqui, tô segurando”.
E eu achando que você ainda estava lá…
A parte de trás da casa não era tão longa. Quando virei para a lateral esquerda, dei de cara com você na minha frente e quase caí de susto.
Me lembro de falar, aborrecida:
— Você devia estar atrás de mim!
E você respondeu, com aquele jeito só seu:
— Eu estava… até ver que você estava pronta. Dei a volta para te parabenizar.
Eu devia ter uns oito anos.
Nós sempre fomos tão iguais, tão intensos, sempre mergulhamos de cabeça na vida.

Nossa relação era única, tão verdadeira desde cedo.
Você me dava permissão para te questionar, exceto quando eu estava fazendo alguma besteira de verdade.

Mas sempre permitiu que eu falasse com você sobre qualquer assunto.
A gente se entendia no olhar.
Quando você chegava do trabalho, pelo seu olhar eu sabia se estava tudo bem, se tinha algo errado, se era algo de saúde ou coisas de adulto.

No fundo, sempre estivemos um ao lado do outro.
Com meu jeito ainda imaturo, mas sempre presente, amoroso e carinhoso — eu cuidava de você.
E você, com sua presença tão gigantesca, mesmo quando estava fora, me dava a certeza de que estaria sempre ali.

Quando você desencarnou, senti bastante.
Aceitei porque faz parte da vida, e fui tentando aprender a lidar com ela sem os seus conselhos sempre tão sábios.

Qual não foi minha surpresa quando comecei a sentir você nos momentos dos passes no Centro Espírita Leon Denis — mesmo antes de receber notícias suas do plano espiritual.
Tenho certeza, no fundo do meu coração, que você foi me guiando.
Você sabia como falar direto com a minha mente… e eu assimilava.

Quando comecei a trabalhar mediunicamente, sempre senti você por perto.
Não como guia espiritual, mas como aquele Pai que diz:
— Vai na fé, que eu tô aqui pra te apoiar e te incentivar.

Você ficou ao meu lado durante toda a minha gravidez.
Algumas pessoas disseram que não sabem de onde tirei forças para passar por tudo que eu passei.
Mas eu sei.
Era você, ali, segurando minha mão, protegendo minha filha.

Me sinto tão maravilhosamente feliz quando sinto você no Centro.
Sou grata por conseguir perceber sua presença, porque sei que você olha por todos da nossa família.
E sinto, nos momentos em que preciso, que você me pega no colo…
e que as pegadas na areia são suas.

Sou tão grata por isso, Pai.
Aliás, sou grata demais por você ser meu Pai.
Nosso amor é eterno.
E é lindo.

 

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