A minha história particular de Pegadas na Areia
Não me lembro de nenhum momento da minha existência, nessa versão corporal, em que você estivesse ausente. Lembro até hoje de quando você me ensinou a andar de bicicleta. Você foi me fazendo criar confiança, dizendo que estaria sempre atrás de mim, segurando a bicicleta. Me levou até o final de uma das laterais da casa, repetindo várias vezes para eu ouvir: “tô aqui, tô segurando”. E eu achando que você ainda estava lá… A parte de trás da casa não era tão longa. Quando virei para a lateral esquerda, dei de cara com você na minha frente e quase caí de susto. Me lembro de falar, aborrecida: — Você devia estar atrás de mim! E você respondeu, com aquele jeito só seu: — Eu estava… até ver que você estava pronta. Dei a volta para te parabenizar. Eu devia ter uns oito anos. Nós sempre fomos tão iguais, tão intensos, sempre mergulhamos de cabeça na vida. Nossa relação era única, tão verdadeira desde cedo. Você me dava permissão para te questionar, exceto quando eu estava fazendo alguma bestei...