Um Ataque Selvagem — Reflexões Sobre o Ser, o Ter e o Amor

 



Já faz algumas semanas que venho sentindo a necessidade de escrever sobre a avalanche de “gurus” que surgem na internet, incentivando o desprezo por pessoas que demonstram comportamentos x, y ou z. O padrão muda conforme a dor que eles exploram — sempre mirando o incômodo de quem está do outro lado da tela.

Hoje vivi um episódio que me deixou especialmente reflexiva, sobre animais… e sobre pessoas abandonadas.

Fui surpreendida por um ataque de um animal  que acolhi com minha família. Ele havia sido abandonado, maltratado, sobrevivente de algo que só Deus conhece. Durante um momento de surto, movido por puro instinto de sobrevivência, tentou atacar outro animal e, ao intervir, acabei ferida. Não foi por maldade, foi por trauma.

Fiquei imaginando o que teria sido dele se tivesse sido adotado por alguém que mora longe, como inicialmente foi cogitado. Muito provavelmente, ao demonstrar esse comportamento, teria sido devolvido ao abrigo — ou pior.

E se eu tivesse seguido os conselhos tão populares nas redes sociais? Aqueles que ensinam que devemos descartar qualquer ser que nos machuque, mesmo sem intenção?

Teríamos “devolvido” aquele animal. Teríamos desistido dele. Como muitos fazem com pessoas. Jogam fora. Cancelam. Ignoram.

Mas quem olha além dos olhos enxerga a doçura dele. A carência. O medo. O trauma. E entende que com amor e paciência, há esperança de cura. Que o que falta não é perfeição — é acolhimento.

E se ele fosse um ser humano? Uma criança que sobreviveu a traumas? Um adulto ferido que ainda não aprendeu a lidar com suas dores? Jogaríamos fora também?

O mundo está doente. E mais doente ainda está a cultura que transforma diagnósticos psiquiátricos em memes, manuais de exclusão em vídeos virais, e traumas profundos em defeitos imperdoáveis.

Jesus não veio à Terra para nos prometer sucesso, fama ou riquezas materiais. Ele veio para mostrar que ninguém deve ser deixado para trás. Nem animais. Nem crianças. Nem adultos feridos. Nem os invisíveis da sociedade.

Ninguém está aqui para salvar ninguém. Mas todos estamos aqui para estender a mão.

E se ao invés de “fazer para ter”, começássemos a fazer pelo próximo… para Ser?

Talvez assim nos tornássemos melhores. Mais humanos. Mais amorosos.

Jesus disse: “Nenhuma ovelha ficará para trás.”
Que a gente não esqueça disso.


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