Um sábado simples e delícia


Hoje o dia começou sem grandes promessas — nem sol radiante, nem chuva. Só um sábado nublado, desses que pintam o céu de cinza claro e deixam o tempo mais lento, mais macio. 

O cheiro do café estava tão bom que já bastou pra eu sorrir  por dentro. Meus 3 gatos querendo atenção, enquanto preparo o café da manhã da filhota. 


Mimo de mãe cumprido, preparei o meu e fui me deliciar com a paz de quem não precisa trabalhar, depois de muitos finais de semana puxados.


E ali, entre um gole quente e o barulho dos passarinhos que nos beneficiam com seu canto mesmo sem sol, senti uma paz simples: a de estar viva, de estar aqui.


Da varanda, a vista me presenteia com um morro coberto de verde — como se alguém tivesse pintado cada folha com pincel. Hoje, a ponta dele desapareceu numa nuvem baixa, como se o céu estivesse descansando por ali. E eu, na rede, entre uma respiração e outra, deixei o corpo relaxar junto com a manhã. Nada me cobrava. Nem o tempo, nem a vida. Deus capricha nos detalhes.


Ali, embalada pelo silêncio das horas lentas, percebi o quanto sou grata por tudo o que não preciso controlar. O verde do morro, a brisa entrando leve, o café que aquece a mão. Não é preciso muito para que a vida revele sua beleza — ela sussurra nos detalhes, se a gente estiver disposta a escutar.


E hoje serei abençoada com um encontro com uma amiga querida, daquelas que aquecem o coração só de lembrar. Sei que a conversa vai correr solta, rindo de bobagens, dividindo sonhos, como se o tempo não tivesse passado. Ter alguém com quem dividir a vida, mesmo que em fragmentos de horas, é outro tipo de bênção — e hoje, ela já me espera lá na frente do dia, feito promessa boa.

Talvez falemos da vida, talvez apenas gargalharemos rindo de nós mesmas como sempre fizemos — e isso já basta. O céu continua nublado, a ponta do morro ainda está abraçada por uma nuvem suave, e a xícara quente entre minhas mãos me lembra: há beleza nas pequenas coisas. A vida não precisa gritar para ser grandiosa — às vezes, ela apenas sussurra “obrigada” por meio de um café fumegante, uma rede balançando devagar e o simples fato de estarmos aqui, respirando, sentindo, vivendo.

 

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