⭐ Ser: o Maior Presente Divino
Vivemos em um mundo onde, cada vez mais, o ser humano se prende às aparências — ao que se mostra nas redes sociais, ao que se conquista, ao que se pode ter.
E, pouco a pouco, vamos esquecendo o verbo SER.
Consumimos o tempo inteiro informações — muitas delas falsas — e deixamos nossa mente poluída por tudo aquilo que dizem que “temos” que fazer para “ter”.
E, nesse excesso, vamos nos afastando de quem realmente somos.
A frase que mais ouço — e digo — é:
“A vida está corrida.”
Todos sempre correndo.
Trabalhando.
Resolvendo “coisas”.
Mas quando o desalinhamento interno cresce demais, o corpo sente. E cobra.
Dias atrás, uma familiar comentou sobre como as festas de família diminuíram.
Disse que hoje é mais difícil reunir todos.
E eu percebi o quanto a correria nos afastou do simples ato de estar juntos.
Esquecemos de acalmar a mente.
De respirar.
De nos reconectarmos conosco.
Deus nos fez bebês — pequenos, dependentes — talvez para nos ensinar, ainda adultos, que SER é simples.
O bebê não se preocupa com nada, porque confia.
Sabe que a mãe vai cuidar.
(Ou, quando há uma boa mãe, sente essa certeza silenciosa.)
O que Deus nos pede é justamente isso:
que tenhamos n’Ele a mesma confiança que um bebê tem em sua mãe.
O choro pedindo leite, ou pedindo para trocar a fralda, é uma prece pura — com a certeza de que há alguém ouvindo e que o cuidado virá.
Somos sempre atendidos.
Nem sempre do jeito que queremos, mas sempre da forma que precisamos.
Porque, na nossa imaturidade espiritual, pedimos o que nem sempre nos faria bem.
E Deus, em sua sabedoria infinita, nos dá o que nos fortalece.
A vida se torna mais leve quando compreendemos esse amor e passamos a ser gratos — de verdade — por tudo que somos.
Sou grata por tudo que tenho? Sim.
Mas se perdesse tudo o que é material, sobreviveria.
O que não suportaria perder é o que sou.
Tenho uma família grande.
Muitos também têm.
Mas o que me faz grata é saber que as pessoas que estão ao meu lado não estão por aquilo que posso oferecer,
mas porque se sentem bem perto de mim.
E eu me sinto bem perto delas — pelo que são.
Minha família não me ama porque “temos” o mesmo sangue.
Minha família e meus amigos me amam pelo que sou,
assim como eu os amo pelo que eles são.
Esse é o maior motivo de gratidão:
a vida em si, e tudo o que Deus nos oferece diariamente no espetáculo silencioso da Natureza —
que segue perfeita, mesmo quando o ser humano tenta feri-la.
A vida não é sobre o que temos ou fazemos.
É sobre como nos sentimos enquanto fazemos, enquanto estamos, enquanto existimos.
Viver em estado de gratidão — ainda que não o tempo todo — nos torna pessoas melhores.
E nos faz sentir, de verdade, enquanto vivemos.

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